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Síndrome Dolorosa do Grande Trocanter (SDGT)

Por: DR. RENATO RODRIGUES PEREIRA

sindrome-dolorosa-do-grande-trocanterPodendo acometer de 10 a 25% de toda a população global, a Síndrome Dolorosa do Grande Trocanter (SDGT) representa um número de desordens da região peritrocantérica lateral do quadril, entre elas, bursiste trocantérica, lesões dos tendões gluteos médio e mínimo e ressalto externo da coxa. Devido a escassez de informações relacionados ao diagnóstico e manejo destas desordens, muitas vezes estas não são reconhecidas, levando a atrasos no tratamento mais apropriado.

Como diagnósticos diferenciais podemos encontrar patologias intra-articulares e extra-articulares do quadril, assim como sintomas irradiados da coluna lombar e da pelve. Tipicamente, a SDGT se apresenta como uma dor e uma sensibilidade aumentada a palpação da região do grande trocanter, nádega ou coxa lateral. Alguns estudos tem mostrado uma incidência aumentada em pacientes portadores de dores músculo esqueléticas da coluna lombar e uma prevalência maior em mulheres quando comparado aos homens.

A bursite trocantérica pode ocorrer devido a uma fricção repetitiva entre o grande trocanter e banda do trato iliotibial com o quadril em flexão e extensão. Está frequentemente associada ao overuse, trauma ou outras condições que alterem as características normais da marcha. Um estudo observacional, incluindo 72 pacientes com seguimento de 2 anos, foi relatado que 91,6% dos pacientes com diagnóstico de bursite, apresentavam patologias associadas de áreas adjacentes, como osteoartrite do quadril ipsilateral ou coluna lombar.

Tipicamente as bursites estão associadas a mulheres de meia idade, porém pacientes ativos mais jovens tem sido diagnosticados, especialmente corredores. São critérios para bursite trocantérica: dor lateral no quadril, dor referida no quadril na abdução forçada contra resistência, dor irradiada para coxa distalmente e teste de Patrick-FABERE positivo (flexão, abdução, rotação externa e extensão). Exames complementares como radiografia simples, ultra-som e ressonância nuclear magnética não são essenciais para o diagnóstico, no entanto podem corroborar para excluir ressaltos e lesões ou calcificações dos tendões glúteos.

Usualmente os casos de bursites são auto limitantes e respondem muito bem ao tratamento conservador, incluindo repouso, gelo, anti-inflamatórios e fisioterapia visando flexibilidade, alongamento e fortalecimento muscular. Quando o tratamento conservador falha, infiltrações locais com anestésicos e corticosteróides tem mostrado um alívio efetivo em 60 a 100% dos pacientes. Nos casos recorrentes ou refratários, o tratamento cirúrgico ganha espaço, seja aberto ou por via artroscópica para a ressecção do tecido inflamatório da bursa e em alguns casos aberturas na banda do trato iliotibial com o objetivo de eliminar o atrito do mesmo sobre o grande trocanter.

Muito menos frequentes, podemos encontrar lesões dos tendões glúteos médio e mínimo que tem sua origem na borda lateral do ílio e se inserem no trocanter maior. As lesões dos tendões glúteos são encontradas na sua inserção no trocanter e podem ter como etiologia, traumas, degenerações próprias dos tendões e osteoartrose do quadril. O diagnóstico é feito através de exame clínico e exames de imagem como ultra-som e ressonância. Nestes casos, o tratamento cirúrgico muitas vezes é necessário para reinserir e repara as lesões tendíneas, aliviando os sintomas e evitando progressão da lesão. Este tratamento pode ser realizado através de cirurgias abertas ou artroscópicas. Em alguns casos podemos encontrar calcificações internas aos tendões, assim como ocorre nas tendinites calcárias do ombro. Em geral o tratamento clínico com anti-inflamatórios e fisioterapia levam ao sucesso do tratamento. Quando estes falham, podemos utilizar tratamentos com infiltrações de anestésico e corticoides, seguidos de múltiplas perfurações dos tendões.

Por último, nos resta falar do ressalto lateral da coxa, que nada mais é do que a fricção da fascia lata com o trocanter maior. Na grande maioria das vezes o ressalto é assintomático e o que assusta o paciente é o ruído e o estalo que esta fricção ocasiona. Nos casos assintomáticos, o tratamento é baseado em alongamentos e orientações. Quando o ressalto se torna sintomático e refratário a um tratamento clínico, como fisioterapia e medicamentos, o tratamento cirúrgico ganha lugar e consistem em realizar, seja por via aberta ou artroscopica, uma janela de poucos centímetros na fascia lata e com isso a fricção com o trocanter maior deixa de existir.

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